Oratório

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 “Concedei-nos, Senhor, Aos olhos a treva redemptora ”.


 O poente põe na abcisa do horizonte uns laivos de incêndio. Há, lá-cima, na expansão abobadada do latíbulo o auriflamante alarido dos adevões olímpicos, dos titanescos recontros celestiais, que à impoluta vastidão azul dos céus vão dessorando, no dia que estertora e arqueja, cúmulos de fumo bístreos, violáceos, evolando-se da eneápolis dos céus incendidos na faulação do ocídio, n´uma crepitação de cidadela estruida em hecatombe. Lá se vai o hespério, os despojos do dia no alfanje!... Transpõe o espaço infinito o obus d´uma águia condoreira, que se vai ao ocidente quiçá magnetizada p´la carnação cruenta do crepúsculo alvissareiro, invitando as aves do céu que se venham cevar no repasto hemorrágico do sol agonizante. Há um mutismo de hemofilia no cenário em derredor... mesmo uma sádica obcecação de anfitheatro romano em que se assistisse a edacidade autopsiante das feras zampando a inerme carnação d´alguma nubilidade judia ou cristã. A sensacionalidade aurirrubínea do poente atenuava a virescência esmeraldina do arboreto. O verde clarinante das franças enublara-se n´uma claridade brumosa de glaucoma, a passo e passo resfriando-se n´um infame labéu de sangue coagulado. ... há uma grísea agonia na frondescência adamada do arboreto!...




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 Eu vos afianço: a afanosa meticulosidade humana, aos pés, lhes regalou calcar o afresco achamboado da pavimentação com o pisante dos sapatorros esfalfados nas canseiras da usura esfaimada... No arabesco do calçamento, miniaturizado, desmolecularizado n´uma embrulhada de carta goegráphica, lê-se, em umbráteis hierógliphos cabalísticos a imortal legenda do tráfico humano:
 ...cância de calorias
 ...p´lo teu oiro um repto $ 99,00
 É uma gramática o rasto em que te vais!...




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 P´la caiçara, no tetanismo esgalho do garrancheiro nemoral, acordam umas harmonias d´harpa eólia... O Sta. Maria, espadanando o dorso açafroado, epileptizando p´la tangibilidade titilante dos lajens em visualidade imagética de serpe imane, entrou a estrugir n´uns estrépitos de fanfarras marciais. O Sta. Maria estertora no peã tonitroante da natura assanhada! O Sta. Maria tem esgares de epigramas à flor xântrica d´água, na lúgubre mascarada dos camaleões, que se vão p´la visagem variegada das visões, à levadia acachoada das águas. Cá, um arruído! Uma arrevoada de anús exalça-se aos céus n´um panapaná de falenas formidandas, mitológicas. Ascendem, voraginando os espaços infinitos, n´uma vertigem d´atra sombra informe, semelhando já aos andrajos de lúrida mortalha, deblatando-se, agônica, aos ventos hibernais; já a lugente copa esgalhada da mítica árbore dos mouros: já n´uma infausta partitura d´harmonias lutulentas, quiçá, lidas no cantochão de tristuras e doloras do Sta. Maria...




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