16 mm.

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. Envoy
Não há creditar, mesmo mérito não há. Sou eu quem escreve ou ela quem o faz por mim? E se acaso assim se dá, outro tanto se não passaria com ela?
- Talvez estivesse a pensar em mim, em como o faço por ela, escrevendo-lhe a comédia toda do amor, sem rebuços, com anódina hilariedade, ingenuamente, ingenuamente... a pensar em mim!
“Tanto que não sabes...
Ou antes, finges não saber,
Quiçá perturbar-me
co´a claridade
Omniciente do teu amor,
Quisera-o jamais.
“...
enlear-me no estofo amimalhante
D´uma gentil afeição, que me tens
Devotado, para dizer-me jamais:
Conheço a tua verdade...”

Ignoras a minha verdade, que é em ti que a descubro, em ti que anseio por vê-la; que me digas a mim o que eu não saberia dizê-lo; que me reveles a mim o que eu não saberia fazê-lo. Sim! Porque a minha verdade é o daguerreótipo da tua beleza, que tenho tanta vez obliterado na penumbra tenebrosa d´uma eterna vacilação:

Cianosidade!

D 15:30
Ligação Perdida
24/06/200*
“Ver”
Nome desconhecido
041633952120
15:30 pm 24/06/200*
“Voltar”
D 15:30
Telephonia
24/06/200*
...d´uma eterna vacilação: será porventura ela a quem amo?
...d´uma eterna vacilação de quem oculta-se apenas por fazer-se ausente, deixando empós si a evidência d´um reclamo ostensivo: “Acha-me”!
Acha-me!
Mas como o poderia se o meu gesto copia-se do teu gesto; se a minha vontade segue a tua vontade; se o meu silêncio é o eco emocional do teu silêncio quando emudeces ao meu chamado?!

***
.Jour de Fête au Faubourg de ma Vie

Cavalga ´té o Buriti co´a potência hidrocarboneto o Ford das carruagens públicas. O meu pensamento célere se cavalga p´la vertigem azoinante das célebres intestinações: Raimundo Correia, subindo escorreito ´té a testacidade da Covanca; Miguel Couto, avançando betuminoso p´la desolação canicular do Sumaré; Getúlio de Moura, descendo súbito p´la vertente do Guarani, no abalo impaciente...
E eu me vou, escarranchado sobre a baia montaria oito cilindros d´uma autoviação, atendido p´la indiferença sorna do casario entorpecido, a distender ócios de acídias domésticas p´la pasmaceira meridional do Buriti...
Aí, já a elegância se apruma p´lo Kodaque colimado dos postigos a que o entrós da higiene doméstica fez de mecanismo obturador. É tal se se estivesse a marchar, ancho de vaidade atendida, p´lo paralelismo admirativo da curiosidade cívica em dias pândegos de parada.
A divina providência, tampouco os obscuros desígnios da fortuna - apenas a brisa inconcebida dos tempos coevos: Leva-nos do centro a periferia (megatérios de metal na atropelada).
Procuro-me a vaporosa consolação d´uma antiga nostalgia, que presto compreendo extinta; já como a beleza peregrina do último monumento - já uma venerável cabeça política, quiçá a saudade desmemoriada da caridade vigilante que a solicitude atendida do condutor dissipa na derradeira estação.
“A consciência expletiva da raridade súbito iluminando a evidência aborrecida d´uma impressão consuetudinária, demasiado vulgar -

Dejá-vu, mnemophania ““.

***

Anólena beldade andaluz, o segredo acéfalo d´uma pálida verônica de Borgonha, a franquear-se, impudente, n´um reclamo formidando de curiosidade theratológica: umbrátil concepção da beleza euplástica!
- Estes homens têm do Belo a estranha intuição d´uma inteligência zoológica... Concede ao menos isto...
Zoológica entanto, umbrátil concepção...
Est´outra prancha ´té se debuxa p´la sugestão esgrafiada d´uma  feminilidade andrógina, a que delirante ideação artística concedeu o requinte alegórico d´uma sedução esculturada no proplasma impossível d´estranha divindade valetudinária, cardíaca...

***

- 107 Cachoeiro -Vila Rica
Tu sabes, amigo, que te tenho votado o cimélio dos meus íntimos afetos, e é, pois por isto que só a ti confesso os meus temores...
- Homem! Tu, temores?
Não te admires, também a mim acodem. Não obstante os tenha desdenhado ´té este em que te falo sombrio dia, eu o fiz sob o impulso sazonal das minhas paixões intelectuais, sob a chancela alternativa de meu irresoluto e hesitante humor literário...
- Explica-te
“... não trabalha! Como poderia Ser?! Humilha-se n´uma acídia acanalhante de morfinômano. É o que te digo: está o homem a se arruinar... são os tempos, meu caro! Os tempos...”
- 211 Prq. Bragantino - Ingá
- 188 Vila Rica
... Jamais os compreendi, homem, posto que os nunca senti.
“... o suporta assim? Está a se brutalizar a Marta n´este maldito casamento...”
- E como supões que existissem?
P´lo mesmo modo supomos agitar-se o ventre úbere da terra continuamente quando o telurismo diabólico dos sismos nos arrebata este chão em que pisamos, meu caro. Agita-se, entanto não o sentimos.
- Só os pode salvar a arte.
- Ou perdê-los.
Se os isola no estreito egoísmo de suas miseráveis existências, paralisando-lhes o sentimento d´uma superior moralidade, então os perde para os fins superiores da civilização...
“... o Neco lhe advertiu: Não te deves afeiçoar a este homem, a este mandrião, que é dos que vendem a desdita a preço d´uma infame concubinagem! É sábio este Neco!”
- Os fins superiores da civilização!... Ah, Ah, Ah!...
Não te rias, por favor...
- 211 Prq. Bragantino - Ingá
Não te rias...
Ei-lo que vem! Adeus, meu caro... Vemo-nos.
- Adeus!

. Quatro horas, quatro e vinte na Gare do Estácio.
Enéias batido do Euxino.
Navegando-se o mediterrâneo desde a Pavuna.
A perversidade Ianque fez à terra a estranha fauna dos helmintos de metal (Praça Onze - o terreiro dos jongos ancestrais acima). Estranha biologia nas criações do gênio Ianque, General Electric copia-se, indelével, à cabeça luciluzente dos pirilampos 60 ciclos -
Juno, coeva das greves, faz o reclamo do Bolchevismo, o alarma altissonante do ideal semita, que ansiava o exclusivismo omnímodo de sua divindade olímpica. Na promiscuidade anonimanizante do transporte coletivo.
Exilou-me, para sempre; da bem-aventurança. Degredou-me.
Estranha biologia...

Nouvelle Chanson D´exil.
Dans mon pays il n´y a qu´une etrange
Ombre solitaire,
Qui c´est le fantôme spectaculaire
De ceux qui ont souffri les branles
Mysterieux de toutes les miseres
Effroyables.

Que l´hommes, lá, eussent vécu
Comme dês bêtes furieuses
Sous l´influence d´un tenebreux
Cercle de haine e frayeur,
Ils aurions de l´existence
Une plus parfaite compréhension.

Cativa de utilidade pretensiosa a feeria fluorescente. Fecundou a feracidade ideativa do gênio geométrico - a azoratada fauna rutilante, ei-la.
Abat-Jours.
Lanterna Mágica - o mysticismo da luz.
E o abalo vertiginoso dos monstros de metal, intestinando céleres, incontidos, no ofício infalível das partidas: 11:45h - triste desconsolo do macrobismo desolado. 12:00h - a mesta elegia plorabunda das tragédias sentimentais.
´Té o Flamengo, encaixilhada para a cuscuvilhice admirativa dos ranchos ruidosos, latíloquos de tédio. Muda entanto, que o sardonismo expressivo da pilhéria avant-garde n´um cromo sécio de nugacidade estética. Aderindo a sedução de sua lástima, inerme para o meu sensualismo cafre, que se ia.
12:14h - a insípida comédia dos que se ignoram p´lo saveiro intemerato das simpatias.

.Sobre a Eça do Borbas, digo do Cubas.
A rua alongava uma mimosa electricidade aritmética. Alguns passos p´lo macadame estropiado e a influência selenoide da paz se nos graduava dissonante. Mimosa e musical. Antes luminosa. Era o que eu dizia ao Sancho, como houvesse inquirido:
- Homem... é par ou ímpar o verde?...
Ele apurava: Ø, o ponto de partida, flavescente de mythologia; abrimos rumo Inhomirim p´la rua do Castilho, e mal ensaiamos passos p´lo calçamento, já, lá-longe o sobrado do Nhô Paulo, velhinho de archeologia, mimetizava co´o acenúbio cambiante da luz. Luz impossível, ascendente, tal fosse o sol transuto da terra, a mirar-se p´la diafaneidade abobadada do firmamento. Já nem sol, senão uma lua apolínea, flamante de luz, fria de incandescência postiça tal o reflexo moribundo d´uma lâmpada eléctrica na superfície ludra d´uma poça d´água... vou a perguntar-lhe...
Que havia eu dizer-lhe? Tornei que também a mim tudo isto assombrava; que inda hontem eu me não confundia: meia-noute, meio-dia...; e já agora era a hipótese Ptolomeu de astronomia rediviva, suponho. Co´a terra alumiando, cá, embaixo...
- Então, desçamos...
- Perdão! Já te estava a cacetear...
O Sancho, surdido para além dos umbrais em que demorávamos por esquecido e terno colóquio, fazia de órgão sensível à minha emocibilidade -

A rua alongava uma mimosa electricidade aritmética. Alguns passos p´lo macadame estropiado e a influência selenoide da paz se nos graduava dissonante. Mimosa e musical. Antes luminosa. Era o que eu dizia ao Sancho, como houvesse inquirido:
- Homem... é par ou ímpar o verde?...
Ele apurava: Ø, o ponto de partida, flavescente de mythologia; abrimos rumo Inhomirim p´la rua do Castilho, e mal ensaiamos passos p´lo calçamento, já, lá-longe o sobrado do Nhô Paulo, velhinho de archeologia, mimetizava co´o acenúbio cambiante da luz. Luz impossível, ascendente, tal fosse o sol transuto da terra, a mirar-se p´la diafaneidade abobadada do firmamento. Já nem sol, senão uma lua apolínea, flamante de luz, fria de incandescência postiça tal o reflexo moribundo d´uma lâmpada eléctrica na superfície ludra d´uma poça d´água... vou a perguntar-lhe...
Que havia eu dizer-lhe? Tornei que também a mim tudo isto assombrava; que inda hontem eu me não confundia: meia-noute, meio-dia...; e já agora era a hipótese Ptolomeu de astronomia rediviva, suponho. Co´a terra alumiando, cá, embaixo...
- Então, desçamos...
- Perdão! Já te estava a cacetear...
O Sancho, surdido para além dos umbrais em que demorávamos por esquecido e terno colóquio, fazia de órgão sensível à minha emocibilidade, embotada embora -

O Sancho alongava o olhar meditativo, exausto de luz...

***