Bucólicas, ( XIII )

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Lenda antiga dos prados antinos à tarde d´outomno, hora seda carmesim.
Segredando Zéfiro augure no plexo Stradivárius do arboreto.
Trapeja na prima o polegar e o sangue inda em minha seda a lembrar a lenidade d´outrora.
Não vibrará assim estrídulo o tinhorão e não terá que rubor o umbu sustenido.
Debalde murmura a tília coagula em cada anelo que coagula sepulto o sonho em musselina azul.
A aragem no sangue esbatendo-se rubente no tule opalina.
Talvez o mi-bordão que umas mãos assim houvessem tocado na clave d´amor
E soasse alto o rubro clarim plangente n´alma alvorada azul das saudades
Surdo estala estrépito em meu ouvido.
No semblante teu ósculo a acordar-me à sinfonia vernal d´um setembro quedo
Estrênuo o amor ovante, estrênuo o tronco triunpha dos recontros fatais.

E na plaga em que estamos é o sertanejo que entoa e esfolha notas d´uma moda que olvidamos...

La Première Paysage du Jour

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O dia alardeava n´uma apoteose de claridades oftalmizantes.
Diluimentos de tintas rútilas,
Breando a acídia entanguescida da natura azoratada,
Comunicavam incoatibilidades de feerias acesas
P´la morna tibieza dos aspectos.
O sémem flavescente da luz
Esparzia-se opulento n´uma pletora impetuosa de panspermia.
Lá-baixo o ajuntamento turtulhado do casario,
Medrando a miséria atulhada dos arrabaldes
Sob a fecundação omnímoda da luz.

Na linda extrema do pontal -
Ventre úbere a que anelam as nostalgias egressas -
Ergue-se, fremente de claridade,
O gate anfracto do corisco,
Referto de sensualismo prásino.

Outra Anedocta de Plutarco

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 Venceram já um jubileu estes muros, que os alevantou meu Pai n´uns desvelos de alvanel...

 Fôra à eneápolis do Buriti, quando inda dominava a insolência vertical da macega, que a venceu meu Pai a golpes de alvião...

 É úbere a gleba do Buriti. Dir-se-ia, aqui, medram os homens do Deucalião, atirados, lá, das terras do septentrião a nímia uberdade do Buriti...

 No Buriti, a Canaã meridional, hão medrado os mangais frondosos, marcheteados d´oiro flavo das mangas, ardendo à franca claridade da soalheira; os amendoais gamenhos, ostentando a correção architectural de sua ligniforme compleição ao aflato retemperador dos outonos, atirando ao asseio público a olorosa defecação das tulhas; a desguedelhada coma dos goiabais no contorno anfracto do seu tentaculoso histerismo; o reclamo rúbido dos pitangais, que ao pantagruelismo edaz da petizada há sucumbido; o eretismo da coqueirama viripotente, guardando-nos, no escroto dos cocos verdoengos, o falerno apetecido do Buriti.

 É úbere a gleba do Buriti. Dir-se-ia, aqui, medram os homens do Deucalião, atirados, lá, das terras do septentrião a nímia uberdade do Buriti...

 Venceram já um jubileu estes muros...

 A pátina se nos descobriu, na epiderme sarabulhenta dos muros, o testemunho fóssil d´outros natalícios... ocre um... e outro... ind´outro branco... e outro...

 Aqui na estância, dir-se-ia estão caricaturando os muros, n´aspereza orographica do reboco carunchoso, na fusinagem da cardina esbatendo-se em hierógliphos sibilinos, em siderações que, inclemente, deletéria, lhes vai compondo no seu bizarrismo de fantasista - dir-se-ia estão caricaturando os muros a magnificência adamada que os adornou jamais.

 Os muros são a madre da estância...

Bucólicas, ( I )

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- “Abalemos p´lo pendor d´esta coxilha que já, lá, o comboio vem a fumar o seu caporal de hulha incendida”.

 A traquitana esfalfada do Itaguaí vai voraginando as distâncias n´um abalo d´edacidade insofrida. Magnetiza-lhe o telurismo enervante dos juncais medrando a flor d´água n´um eretismo de fouxel eriçado; o hiato alvacento das Uiratingas no ninhal acachoado das guaratibas, n´um acuso rememorante de ideais estremes p´lo fragor dos sonhos da mocidade.

 Eh, boi!!!!.....

 - “Além da macega é o arroio do Sta. Maria que se nos deparará. Lá, o ululo clangorante das águas na undação estrepitosa do rio; o alarido assonante da petizada no avolvimento amotinado das pândegas vespertinas, em que se os vê tibungando os arcaboiços escanifrados no espelho embaciado das águas lôbregas...”.

 O Itaguaí alastra n´uma alcatifa esmeraldina de campinarama; o ajuntamento dos capões em visualidade de burgo medievo... a passo e passo é o ufanismo esteriçado dos umbus; o zimbório abobadado das franças efundindo-se n´uma majestade ideal de architectura catedralesca; o opérculo das frondes esgalhadas deitando sobre o faxinal sarapilhento o epileptismo vasquejante das fantasmagorias...

 Cá a canalha dos pequenos vem dar empós o esfalfamento das folganças, à tardinha, quando se vai abalando o sol, lá, p´ra os lados do Sto Amaro, nos desmoronamentos do crepúsculo. Então se vão os Longes confundindo na imistão promíscua dos assombramentos; a anastomose das sombras, na esfumatura que o crepúsculo alastra, põe impressionabilidades imagéticas de furnas avernais à barafunda das veredas, permistando-as na sinalefa obliterante dos umbrores...

 O Itaguaí é uma pochade impressionista que a natura, arrebatada n´um elance de esteticismo invulgar, deitou sobre a testacidade argilosa dos cerrados...

Elegia

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O entrós entanguido d´uma hora somnolenta
E anchilosada,
D´uma hora somnolenta e silente.

... e anchilosada, o entrós

- Compassando o adágio d´uma hora de ócio,
Vibrou n´alma, n´archaboiço do castelo
- A tinta azul dos teus olhos úvidos
Fôra assim concebida...
P´lo intento de aos céus colorir.

Sigo à 113 página: ei-lo imponente,
Monumental...
É que me faz medo o teu...
Tem, pois, a paragonia do crepúsculo
Na nímia undação da águas.
E a fleugma horologial, incontada
D´esta hora imensa...

E o castelo, já, tem mesmo a mudez
Tantaneada do tempo - um e outro segundo
- Um calefrio no cavername do eterno...
Elle cresce e dilata
E empós apouca e encoucha
Na toada monótona do meu pesar.

Eu o sei: é livro de viagens
- Apenas isto!-
Que a tua ternura deixou-me
Quando partias.

Oratório

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 “Concedei-nos, Senhor, Aos olhos a treva redemptora ”.


 O poente põe na abcisa do horizonte uns laivos de incêndio. Há, lá-cima, na expansão abobadada do latíbulo o auriflamante alarido dos adevões olímpicos, dos titanescos recontros celestiais, que à impoluta vastidão azul dos céus vão dessorando, no dia que estertora e arqueja, cúmulos de fumo bístreos, violáceos, evolando-se da eneápolis dos céus incendidos na faulação do ocídio, n´uma crepitação de cidadela estruida em hecatombe. Lá se vai o hespério, os despojos do dia no alfanje!... Transpõe o espaço infinito o obus d´uma águia condoreira, que se vai ao ocidente quiçá magnetizada p´la carnação cruenta do crepúsculo alvissareiro, invitando as aves do céu que se venham cevar no repasto hemorrágico do sol agonizante. Há um mutismo de hemofilia no cenário em derredor... mesmo uma sádica obcecação de anfitheatro romano em que se assistisse a edacidade autopsiante das feras zampando a inerme carnação d´alguma nubilidade judia ou cristã. A sensacionalidade aurirrubínea do poente atenuava a virescência esmeraldina do arboreto. O verde clarinante das franças enublara-se n´uma claridade brumosa de glaucoma, a passo e passo resfriando-se n´um infame labéu de sangue coagulado. ... há uma grísea agonia na frondescência adamada do arboreto!...




* * *




 Eu vos afianço: a afanosa meticulosidade humana, aos pés, lhes regalou calcar o afresco achamboado da pavimentação com o pisante dos sapatorros esfalfados nas canseiras da usura esfaimada... No arabesco do calçamento, miniaturizado, desmolecularizado n´uma embrulhada de carta goegráphica, lê-se, em umbráteis hierógliphos cabalísticos a imortal legenda do tráfico humano:
 ...cância de calorias
 ...p´lo teu oiro um repto $ 99,00
 É uma gramática o rasto em que te vais!...




* * *




 P´la caiçara, no tetanismo esgalho do garrancheiro nemoral, acordam umas harmonias d´harpa eólia... O Sta. Maria, espadanando o dorso açafroado, epileptizando p´la tangibilidade titilante dos lajens em visualidade imagética de serpe imane, entrou a estrugir n´uns estrépitos de fanfarras marciais. O Sta. Maria estertora no peã tonitroante da natura assanhada! O Sta. Maria tem esgares de epigramas à flor xântrica d´água, na lúgubre mascarada dos camaleões, que se vão p´la visagem variegada das visões, à levadia acachoada das águas. Cá, um arruído! Uma arrevoada de anús exalça-se aos céus n´um panapaná de falenas formidandas, mitológicas. Ascendem, voraginando os espaços infinitos, n´uma vertigem d´atra sombra informe, semelhando já aos andrajos de lúrida mortalha, deblatando-se, agônica, aos ventos hibernais; já a lugente copa esgalhada da mítica árbore dos mouros: já n´uma infausta partitura d´harmonias lutulentas, quiçá, lidas no cantochão de tristuras e doloras do Sta. Maria...




* * *

16 mm.

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. Envoy
Não há creditar, mesmo mérito não há. Sou eu quem escreve ou ela quem o faz por mim? E se acaso assim se dá, outro tanto se não passaria com ela?
- Talvez estivesse a pensar em mim, em como o faço por ela, escrevendo-lhe a comédia toda do amor, sem rebuços, com anódina hilariedade, ingenuamente, ingenuamente... a pensar em mim!
“Tanto que não sabes...
Ou antes, finges não saber,
Quiçá perturbar-me
co´a claridade
Omniciente do teu amor,
Quisera-o jamais.
“...
enlear-me no estofo amimalhante
D´uma gentil afeição, que me tens
Devotado, para dizer-me jamais:
Conheço a tua verdade...”

Ignoras a minha verdade, que é em ti que a descubro, em ti que anseio por vê-la; que me digas a mim o que eu não saberia dizê-lo; que me reveles a mim o que eu não saberia fazê-lo. Sim! Porque a minha verdade é o daguerreótipo da tua beleza, que tenho tanta vez obliterado na penumbra tenebrosa d´uma eterna vacilação:

Cianosidade!

D 15:30
Ligação Perdida
24/06/200*
“Ver”
Nome desconhecido
041633952120
15:30 pm 24/06/200*
“Voltar”
D 15:30
Telephonia
24/06/200*
...d´uma eterna vacilação: será porventura ela a quem amo?
...d´uma eterna vacilação de quem oculta-se apenas por fazer-se ausente, deixando empós si a evidência d´um reclamo ostensivo: “Acha-me”!
Acha-me!
Mas como o poderia se o meu gesto copia-se do teu gesto; se a minha vontade segue a tua vontade; se o meu silêncio é o eco emocional do teu silêncio quando emudeces ao meu chamado?!

***
.Jour de Fête au Faubourg de ma Vie

Cavalga ´té o Buriti co´a potência hidrocarboneto o Ford das carruagens públicas. O meu pensamento célere se cavalga p´la vertigem azoinante das célebres intestinações: Raimundo Correia, subindo escorreito ´té a testacidade da Covanca; Miguel Couto, avançando betuminoso p´la desolação canicular do Sumaré; Getúlio de Moura, descendo súbito p´la vertente do Guarani, no abalo impaciente...
E eu me vou, escarranchado sobre a baia montaria oito cilindros d´uma autoviação, atendido p´la indiferença sorna do casario entorpecido, a distender ócios de acídias domésticas p´la pasmaceira meridional do Buriti...
Aí, já a elegância se apruma p´lo Kodaque colimado dos postigos a que o entrós da higiene doméstica fez de mecanismo obturador. É tal se se estivesse a marchar, ancho de vaidade atendida, p´lo paralelismo admirativo da curiosidade cívica em dias pândegos de parada.
A divina providência, tampouco os obscuros desígnios da fortuna - apenas a brisa inconcebida dos tempos coevos: Leva-nos do centro a periferia (megatérios de metal na atropelada).
Procuro-me a vaporosa consolação d´uma antiga nostalgia, que presto compreendo extinta; já como a beleza peregrina do último monumento - já uma venerável cabeça política, quiçá a saudade desmemoriada da caridade vigilante que a solicitude atendida do condutor dissipa na derradeira estação.
“A consciência expletiva da raridade súbito iluminando a evidência aborrecida d´uma impressão consuetudinária, demasiado vulgar -

Dejá-vu, mnemophania ““.

***

Anólena beldade andaluz, o segredo acéfalo d´uma pálida verônica de Borgonha, a franquear-se, impudente, n´um reclamo formidando de curiosidade theratológica: umbrátil concepção da beleza euplástica!
- Estes homens têm do Belo a estranha intuição d´uma inteligência zoológica... Concede ao menos isto...
Zoológica entanto, umbrátil concepção...
Est´outra prancha ´té se debuxa p´la sugestão esgrafiada d´uma  feminilidade andrógina, a que delirante ideação artística concedeu o requinte alegórico d´uma sedução esculturada no proplasma impossível d´estranha divindade valetudinária, cardíaca...

***

- 107 Cachoeiro -Vila Rica
Tu sabes, amigo, que te tenho votado o cimélio dos meus íntimos afetos, e é, pois por isto que só a ti confesso os meus temores...
- Homem! Tu, temores?
Não te admires, também a mim acodem. Não obstante os tenha desdenhado ´té este em que te falo sombrio dia, eu o fiz sob o impulso sazonal das minhas paixões intelectuais, sob a chancela alternativa de meu irresoluto e hesitante humor literário...
- Explica-te
“... não trabalha! Como poderia Ser?! Humilha-se n´uma acídia acanalhante de morfinômano. É o que te digo: está o homem a se arruinar... são os tempos, meu caro! Os tempos...”
- 211 Prq. Bragantino - Ingá
- 188 Vila Rica
... Jamais os compreendi, homem, posto que os nunca senti.
“... o suporta assim? Está a se brutalizar a Marta n´este maldito casamento...”
- E como supões que existissem?
P´lo mesmo modo supomos agitar-se o ventre úbere da terra continuamente quando o telurismo diabólico dos sismos nos arrebata este chão em que pisamos, meu caro. Agita-se, entanto não o sentimos.
- Só os pode salvar a arte.
- Ou perdê-los.
Se os isola no estreito egoísmo de suas miseráveis existências, paralisando-lhes o sentimento d´uma superior moralidade, então os perde para os fins superiores da civilização...
“... o Neco lhe advertiu: Não te deves afeiçoar a este homem, a este mandrião, que é dos que vendem a desdita a preço d´uma infame concubinagem! É sábio este Neco!”
- Os fins superiores da civilização!... Ah, Ah, Ah!...
Não te rias, por favor...
- 211 Prq. Bragantino - Ingá
Não te rias...
Ei-lo que vem! Adeus, meu caro... Vemo-nos.
- Adeus!

. Quatro horas, quatro e vinte na Gare do Estácio.
Enéias batido do Euxino.
Navegando-se o mediterrâneo desde a Pavuna.
A perversidade Ianque fez à terra a estranha fauna dos helmintos de metal (Praça Onze - o terreiro dos jongos ancestrais acima). Estranha biologia nas criações do gênio Ianque, General Electric copia-se, indelével, à cabeça luciluzente dos pirilampos 60 ciclos -
Juno, coeva das greves, faz o reclamo do Bolchevismo, o alarma altissonante do ideal semita, que ansiava o exclusivismo omnímodo de sua divindade olímpica. Na promiscuidade anonimanizante do transporte coletivo.
Exilou-me, para sempre; da bem-aventurança. Degredou-me.
Estranha biologia...

Nouvelle Chanson D´exil.
Dans mon pays il n´y a qu´une etrange
Ombre solitaire,
Qui c´est le fantôme spectaculaire
De ceux qui ont souffri les branles
Mysterieux de toutes les miseres
Effroyables.

Que l´hommes, lá, eussent vécu
Comme dês bêtes furieuses
Sous l´influence d´un tenebreux
Cercle de haine e frayeur,
Ils aurions de l´existence
Une plus parfaite compréhension.

Cativa de utilidade pretensiosa a feeria fluorescente. Fecundou a feracidade ideativa do gênio geométrico - a azoratada fauna rutilante, ei-la.
Abat-Jours.
Lanterna Mágica - o mysticismo da luz.
E o abalo vertiginoso dos monstros de metal, intestinando céleres, incontidos, no ofício infalível das partidas: 11:45h - triste desconsolo do macrobismo desolado. 12:00h - a mesta elegia plorabunda das tragédias sentimentais.
´Té o Flamengo, encaixilhada para a cuscuvilhice admirativa dos ranchos ruidosos, latíloquos de tédio. Muda entanto, que o sardonismo expressivo da pilhéria avant-garde n´um cromo sécio de nugacidade estética. Aderindo a sedução de sua lástima, inerme para o meu sensualismo cafre, que se ia.
12:14h - a insípida comédia dos que se ignoram p´lo saveiro intemerato das simpatias.

.Sobre a Eça do Borbas, digo do Cubas.
A rua alongava uma mimosa electricidade aritmética. Alguns passos p´lo macadame estropiado e a influência selenoide da paz se nos graduava dissonante. Mimosa e musical. Antes luminosa. Era o que eu dizia ao Sancho, como houvesse inquirido:
- Homem... é par ou ímpar o verde?...
Ele apurava: Ø, o ponto de partida, flavescente de mythologia; abrimos rumo Inhomirim p´la rua do Castilho, e mal ensaiamos passos p´lo calçamento, já, lá-longe o sobrado do Nhô Paulo, velhinho de archeologia, mimetizava co´o acenúbio cambiante da luz. Luz impossível, ascendente, tal fosse o sol transuto da terra, a mirar-se p´la diafaneidade abobadada do firmamento. Já nem sol, senão uma lua apolínea, flamante de luz, fria de incandescência postiça tal o reflexo moribundo d´uma lâmpada eléctrica na superfície ludra d´uma poça d´água... vou a perguntar-lhe...
Que havia eu dizer-lhe? Tornei que também a mim tudo isto assombrava; que inda hontem eu me não confundia: meia-noute, meio-dia...; e já agora era a hipótese Ptolomeu de astronomia rediviva, suponho. Co´a terra alumiando, cá, embaixo...
- Então, desçamos...
- Perdão! Já te estava a cacetear...
O Sancho, surdido para além dos umbrais em que demorávamos por esquecido e terno colóquio, fazia de órgão sensível à minha emocibilidade -

A rua alongava uma mimosa electricidade aritmética. Alguns passos p´lo macadame estropiado e a influência selenoide da paz se nos graduava dissonante. Mimosa e musical. Antes luminosa. Era o que eu dizia ao Sancho, como houvesse inquirido:
- Homem... é par ou ímpar o verde?...
Ele apurava: Ø, o ponto de partida, flavescente de mythologia; abrimos rumo Inhomirim p´la rua do Castilho, e mal ensaiamos passos p´lo calçamento, já, lá-longe o sobrado do Nhô Paulo, velhinho de archeologia, mimetizava co´o acenúbio cambiante da luz. Luz impossível, ascendente, tal fosse o sol transuto da terra, a mirar-se p´la diafaneidade abobadada do firmamento. Já nem sol, senão uma lua apolínea, flamante de luz, fria de incandescência postiça tal o reflexo moribundo d´uma lâmpada eléctrica na superfície ludra d´uma poça d´água... vou a perguntar-lhe...
Que havia eu dizer-lhe? Tornei que também a mim tudo isto assombrava; que inda hontem eu me não confundia: meia-noute, meio-dia...; e já agora era a hipótese Ptolomeu de astronomia rediviva, suponho. Co´a terra alumiando, cá, embaixo...
- Então, desçamos...
- Perdão! Já te estava a cacetear...
O Sancho, surdido para além dos umbrais em que demorávamos por esquecido e terno colóquio, fazia de órgão sensível à minha emocibilidade, embotada embora -

O Sancho alongava o olhar meditativo, exausto de luz...

***