Surungo do Bragal

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O César apurava-se... Era o corte à novo de seu fato, terno fino pesponto. Encasmurrava no favor e mercê de mais olhar, que a sua sorte forte regia, lembra? Ella: guardando consigo os sortilégios – o rosto meigamente de Lucinda, lindo... E outras tantas purezas, amigo, prazenteiras, o seu forte progne sorriso, sabiam todos o impossível d´este entrecho. Aí, elle servo no lavor que lhe adornava as ricas abotoaduras. Sim!... A tia Berta, quantas vezes também formavas na atropelada ruidosa do meninório: a mesa regalona, os bródios das vésperas? Então, foste tu, não? Qual o dia?... Deixemos. Isto é procela raivando na dorna, não condiz... O César não combinava no acerto da hora. É tempo que não havemos de contar, tu sabes, elle espadana n´uma fonte idosa p´lo regaço nemoroso do parque, a água solerte promovendo-se no repuxo e, ali, os olhos deslumbrados. Então elle é mais dilatado, maior quanto mais...
O César acariciava o mento liso escanhoado, trescalando basto, hígido fartum de botica. Este dia, o César havia-se co´o dever de fazê-lo. Homessa!... Sim, o dever. Tanto menos quanto o fizeste a tua patroa: que se não cogita, aí, d´estas cousas. E o que não principiou como lesta policitação tem já o governo dos destinos nossos. Então... Elle sabia sua saliva, advertindo um travo amaro de remorsos, outro qualquer suave aprazível. O jeito safado da fortuna co´o franco efetivo sorriso, o gosto, pois, empenado. Olha: assunta que o César, aí, tampouco habitava. Ansiava, que esse um de nos aliviar co´a sua flagrante verdade e truísmo. O César, então, concebia o gosto salso e aperiente d´um assado e polenta, elle isto, lá, apreciava! Que sua mãe esse fazia, um saboroso. O César não o queria? Agora como a um dever. Não cousa que afina na honra, não! O César não consentia n´estes enthusiasmos. Era é muito homem. Atilado, concernente como o átimo de juízo na provinda certa justiça. É possível. Aí, aquelles que melhor decretamos estáveis, a nossa prosápia e maus mais momentos findáveis. Ao César nunca falhou esta estampa, homem estrambólico, estentório. A Lucinda receava nunca. Decerto atinava co´a anódina resolução do César, aquelle incerto sorriso agreste, emanado. A Lucinda, o elenco d´elles. As almas amantes, há-de que vivem assim, enfáticas efetuadas. Pelo visto: a Lucinda trouxera sua sorte germinada, cousa que é muito mystério e claridade e co´a vontade claudicante do César fez porejado par . O César, mais forte provindo de sua séria tristeza, era, pois, o régulo rabavento d´estes destinos. Sendo assim, pois? Tudo está narrando-se reto por esta prosa: cada um cumprindo-se prompto razoável. A este destino consentimos melhor, não? É a toada dos fados dias ordinários.
Elle agora instruía que demasiava muita luz – aí, p´las bodas é um rico feerismo – que seu terno e fato eram não e tanto assim açafroados. As lâmpadas lastimavam uma luz doente, desprevenida, grosso enlevo de claridades. E o César atinava no cinismo, removível resignação que a lâmpada estimava. Aí, pois, tudo assim não ria? O César vingava de conceber honesto sua vida: que elle, ali, era o que prorrogava sua vergonha, promovia uma sórdida, e entremez de fífio teatro, de província. Seu mesto espírito todo se confrangia. Mas sabe-se: o César sobeja muito de si é nas horas de agonia e pesar, o escuro estrênuo de scismas e proficiência. O terno seu, belo, vistoso, era obra esse d´um atrevimento que elle adivinhava apenas. Era demasiado correcto, querelado. Elle temia era não delir, o seu ocaso n´esta ocasião. E ponderava: “A vida assim rente co´os usos, que é que forte rege um homem, procedido, n´elle assentando obstinação de império alçado e poder”. Que o deixa viver? Sorte de uma má existência narrada, enzampa. O olho vil dos usos, n´elle fazemos a epítome d´uma farsa extrema, enzoneira. O mundo, todo regulado, ficha n´este promptuário, certo. É tal tudo quanto sabemos honestamente, sem rebuços: somos, certos em que somos... E somos outros. Todo o tempo? Vigio quando mesmo sozinhos. Ninguém está, aí, incólume. Que há? O César é assim. Intenso sabe certo o que não é d´elle. O terno que ora trazia, garrido, estas sóbrias regalãs abotoaduras; o belo festejado sapatorro açacalado: aquellas meias, quem lhas presenteava era o fernando. Que não os dava? Calúnia... Mas, veja, Se esse mesmo um, aí, foi quem mais contentava quanto natalício aprovavam os dias festivos... Presente dado, sapo enjerizado. É, pois, por isto: Que mais se acanalhava o César, de fazer-se parvo isto mais o expedia, esse muito mortificava-se exequível para estas fidalguias. Então, o fato novo, bonito renitente, até seu fino cabelo o Delmo a gosto tonsurou... E o mento oloroso cerce escanhoado... Era um outro fantástico duplo consigo n´um geminado existir. O César, aí, transido, estacou: mais vingava este o fácil fanatismo de sua álgida solicitude, quanto o César falhava um vero viver. Que digo: um desses vê enxergado é o fio enzampa enxabido de viver. Se me lembro e recordo? Ella, D.Cecília - mas apenas quando enviuvou... é o povo escasso bilioso, o mundo todo muito se entenebreceu co´a vinda, o advento d´estes. Que é que está a esperar Lucinda? Senão esta desgraça. A Nêmesis. Escomunal insensatez do mundo. O homem fífio n´um circo de muita vida, mas mais o aflige o garrote e verruma d´um uso e governo. Não, o César isto já o disse a mim. Elle tem vezo. Por vezes elle concebe direito na regra de existir, mas a fonte lídima de força, aí, faz prazo nesta obediência a fortes princípios. Elle, esse César, e mais todos quantos somos. Sim, suas bodas. É uma outra, houvesse muito demasiado disto por aí. Compreendo... Sim. A Lenora: um truísmo... Esta fosse sua triste sorte, mas muito mais, aí, enrijece concebendo o deboche e escárnio de viver. Eis um outro!...
Porque demarco demais n´estes comenos?... Obstinado n´este fio delírio estrito?... É que o narrador não tem pautas. Se não o pode ver. Fábula, apodo, conceber, o espírito, o drama e força do júbilo, nosso amor é jamais estarmos a sós. E d´outros quejandos afectos. O poeta em outros tantos: Elle thiraniza absurdo, mas a habena de sua sciência fremindo um vazio: Eu não consto! E também... Os seus botões: evidente! A linguagem inteligível debochada, o outro é quem a advinha.
Quem o pode?! Fiar-se n´um liso e esmondado... É só literatura. Difícil?! Aí, tem muito demais. É uma arte, dizem. Querem-na rhetórica ou eloquência. Quem muito o diz é o César. Também... O César certo concebe nisto. É de que justo o acusam: forte atrabiliário... De facto. Agora imagina: era o dia de seu aniversário - se lhe houvesse um caro afecto, um certo parente morrido, teríamos uma tragédia. O Almeida lhe fazia um sova legendária, melindrado co´o tédio e forte viperino spleen do César. De acordo. Mas elle não nos pode negar algum acerto. É ponto muito discutível. Sua alta compreensão. Eu não tenho esta dilatada subtileza, prazo de entendimento ajuizado. Mas estes casam-se co´a vênia e benção da igreja. O César, pois, casou-se. Sim. Isto assim se dá. Aí, elle servo no lavor que lhe adornava as ricas abotoaduras... Mirava, forte demorava. Um pensa, homem concebido e outro mazoral é na vida que tampouco incoagiu começada. O vivo melhor que se tem, lurado e carunchoso, o pretérito finado jabiraca horripilando nosso sincero, oríbaso porvir, os fastos da alvorada:

"Malamba dita
Sardinha frita"
Sim, umas bodas... mas, aí, o passamento d´um filho; a malaca insidiosa cevando n´um mais querido prezado amigo; ´té parente que longe vai muito viajado - É uma maçada! Caceteação...
"Moça de saia,
Sorte macaia.
Moça bonita,
Forte desdita."
E música, a muita. Elle, esse César, minestre juvira esgrimando consigo. É muita estória. A música era é assim, também. Um mívio altivo, garrido, o César estadeava prosfasador, encomendando moinante o dom que lhe deu Deus nas pândegas, lá, do Bragal. O pinho intenso chorava, a mesta, flébil elegia manbira que os malungos consuetos propagavam tem vigílias de enlevo e sonho. Teciam alto, um delicado pesponto no fuso hexacórdio da mandora, vem mesmo uma sorte de virtuose, as suas mãos faziam assim. E o César compassava os arroubos românticos da patuscada, toldando o ar co´a vertigem consonante de trilos e harmonias. Se, sim, se jactava... A mocidade aconselha. Só com muito demorado tempo. Sim. Então, pois! Agora concerne é n´um diletantismo maneiroso, arte putativa que os mais depõem. Elle não crê, não. Hoje sendo gostando muito mais é de ouvir, mas sem a nenhuma modéstia. O César já não diz que diz. Elle mo disse. É... Homem contraditório, pantopolista. Vem que inda vão, lá, p´lo Bragal, povo frege. Que não há ocasião: dia raiou, é no rebojo do Bragal! A Lucinda... A lucinda é mulher. Nem consente. Agreste, rebordã, brandindo o rebenque do seu forte zelo e amor.
O César muito que ella, aí, morava junto as bandas do Val Paraíso, que soube. A vida não esbarra de tecer as surpresas novidades. Ella, a tanto, é de ter uma fraca sofreguidão. A paciência. Elle algum lene namoro inferia, ´té umas núpcias a meio manentes. Isto, que é sendo mais dito logrado? Logrou-se. Um e outro intenso viver elle, então, como piançava. Que com forte esto e ardor era amado afeito uma consorte amásia, como sem fio e rumo autorizava um desatino. Desquitou-se. Sei. Tinha encantos, ella, uma sedução. Todos, aí, afinavam, concordes. E, pois, quando se lhe vai graduando, uma saudade mazomba que vai, é nela. Não, não...Inspirava e concedia em lauto respeito. Ella assentava um estado e muita ascendência, que o César acolhia. Um theatro, dança, recitais e outras preleções e gosto espevitado ella como entretinha, prepondo-se um donaire e galhardia. A Lucinda?... Já, nisto vamos. Dizia: O César fazia par e coro a esta altivez, somente que... Isto. É... Tartamudeava sem remissão. Tampouco concedia que a adjudicassem, que insulto e muito convício isto conformava. Por cujo tinha enlevada amicícia, ella e uma outra galivada irmã expediam o primogênito, irmão borboró. O César crebo acotiava co´a sua fácil solícita quimera: elle concebia mesmo prazo de homem meditado, cogitabundo, propício. Elles feriam alto escopo de pensamentos e consideração, confabulavam uma alegoria insueta de reforma irridentista. Apenas a coorte emendada dos mais erectos sutís, o espaço emanado d´um sonho e poesia. Ella e o amor colhiam a propagada polidez e testa parolagem do César, o epílogo d´uma sedução. Depois que é muito tempo, o César secou, exambrou sua demasia e estolidez no entrecho d´amor que ella estonteava. Aí, pois, tem foi uma demorada, dulcíssona copla, conduzida. Sim, mas que calou... Mas isto não a infirma!... Tem gravado, aí, inscrito, todo amor uma legenda de crisographia. É, é... Romantismo. O fim d´amor é um outro começo, heim! E o César expedito fatageasse o resumo talar d´esta fábula, mais uma muito e outra recopilando sem pejos. Aí, soube era o que mulher é. Elle vai foi estonasse um vesco ácino de entendimento, na pérgula de intenso prazer e gosto refestelado. Sim... E esta tem muita página!... E o todo pretérito é demasiada leitura, não? Tampouco... Jamais soubesse alguém. A vida é muito velha. De acordo. É... Veio a Lucinda. Seródia, muito que o César grosso aunasse o todo fim de Amor n´um forte desprezo. Elle mentia um pando cacaio de prava maldade gabola. Uma clara, límpida e água ludra n´uma outra, elle anaçava uma cendrada mezinha para si, para seu uso. E veio a Lucinda, veio. E veio, já, este terno e gravata e novos luzidios sapatos. Veio estas bodas.