A Galilé Do Sto. Aleixo

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Como em mágico jardim,
Nestas ruas andei eu,
N´um tempo que se perdeu.
Elas hoje andam em mim.
- Onestaldo de Pennafort




 A gente d´aqui do Nhô Aprígio conta umas anedoctas que orçam já a alegoria umbrátil das legendas, a que a imaginativa imoderada do roceirismo paparribas conspurcou no contacto infectante das hipérboles. - O Nhô Aprígio se foi imistando, se foi aderindo à visualidade d´um Satanás baeta, antropomorphicamente escurril.
 - Te vais deitar, ou terei de chamar o Nhô Aprígio p´ra te apanhar?!...
 - Homem!... não me acreditas?!... pois é como te digo. Fôra o Nhô Aprígio que me aparecera empós a patuscada em casa do Ésio, quando já vencia o Itanhenhêm... eis que se me antolhava, e ombreava da coqueirama o vulto inverossímil...
 De vez a mais avultava o populário, dilatando já na verve impudica que a histeria inflama à piedade matrona, já na polícia clarividente dos cuidados maternos, que aos assomos da petizada nas flostriações da prima infância opõe-lhes o açamo disciplinador do medo.
 - Pois sim!... estavam mortas as reses. É que alta noute o Nhô Aprígio as abate, já o cousa-ruim, para lhes chupar o sangue.

* * *

 Os Bronzes reboavam n´uma toada de Doloras e tristuras, a que respondia a fraternidade emocional da campânula colossal do Cachoeiro, repercutindo a harmonia tintinabulante das Vésperas n´um lúgubre carme de elegia, toldando o ar... as tardes, aqui, no Sto. Aleixo gemem o cantochão da tristeza universal na ubiqüidade clangorante dos bronzes...
 É então que se vai o meninório à belga do Nhô Aprígio para, às esculcas, perscrutar-lhe a intimidade do tugúrio, já abombado que o fizera a enfiada atroz dos anos na sucessividade esboroante dos tempos. Ali, então, refestelando-se os pequenos no coro dos setiais relvados, fazia-se o conclave da garrulice cuscuvilheira para a eleição da intrepidez desatada que se ia apropinquar do réles colmado para o devassar, para adivinhar o Nhô Aprígio na desumanização d´alguma metamorphose inverossímil. Obrigações domésticas insolvidas no ardor das pândegas diuturnas, hipercusias adventícias concitando aos bródios vesperais, indisposições alvinais reclamando o remanço das comuas - a galilé falhava o ínclito escopo do conclave egrégio. Como demorasse a resolução, tiranizaram na arbitrariedade d´uma escolha inopinada: escolheu-se ao Paes.
 O Paes era uma rotundidadezinha orçando já a segunda infância, que a macilência claustral d´uma madre imbele, exânime - espécimem supérstite d´existir áulico, flor exótica d´aristocracia em meio ao roceirismo charro do Sto. Aleixo -, fez à delicadeza espiritual dos eleitos, ao pudor e cordura dos estesíacos, à frugalidade parcimoniosa dos supercivilizados. O Paes era amiúde subtraído às pândegas da galilé, pois sabiam-no hostil ao temperamento cafre, à índole frascária da piazada no avolvimento sarabulhento em derredor a belga do Nhô Aprígio. Entanto sobalçava-o a emoção de assistir-lhes na assuada vespertina que a cuscuvilhice inflamava; ia compondo na imaginativa requintada minudências fisionômicas de rictus, pormenores expressivos de grimaças que se iam exarando às faces apalermadas da puerilidade ladina do Sto. Aleixo. Era, então, que se ia o Paes ao conciliábulo dos pequenos, arrastando pelas cales espurcas a mole enorme das suas adiposidades pubescentes n´um açodamento de desídia retardatária...
 Um apsiquismo perturbador de delíquio azoinante alastrou p´la sensibilidade nevrotada do Paes quando o areópago dos pequenos disciplinou o aresto incontestável. Escuridades de recessos lúgubres onde corveja a canalha dos demônios, horripilando o silêncio asilador das desgraças; diluimentos de tintas amorphanadas no esbatimento obliterante das trevas, encenando instantaneidades de phantasmagorias fugidias; chamamentos de hipercusias concitando à camaradagem fúnebre de ogros famélicos, antegozando o épulo antropophágico d´alguma credulidade imprevidente n´uma sialorréia de bava escumarenta - a teoria toda das aparições umbráteis estresia-se na sua imaginativa sobalçada, que a fizera a oxiopia antecipadora do medo. Protestou, zambro, atalhado, comprometimentos de obrigações escolares inadiáveis, injunções inexoráveis d´horas aprazadas p´lo almo seio dos desvelos maternos. Qual! O meninório, animalizado, embrutecido, ateado p´la perspectiva escandescente do crime, descurava d´estas sentimentalidades efeminadas, carpidas pela virilidade ancípte do Paes que, premido pela obrigatoriedade d´aquele princípio implacável, achou de melhor aviso aceder aos intentos pulhas da piazada.
 A acianosidade solferina em que se iam atassalhando os céus nos desvanecimentos do crepúsculo, célere transformou-se n´uma claridade languescente de penumbra safirosa, resfriando o verde clangorante dos longes n´uma esfumatura de trevas amorphanadas, n´uma fusinagem de sombras alastrantes, picumando os diluimentos esmeraldinos que coalhavam em derredor. Já a toada monótona dos ortópteros rompeu n´um desvario de philarmonias cricrilantes, dilatando n´uma nota tristíssima de reverberação intérmina. Dir-se-ia um esmorecimento efundia-se da derrocada esboroante do crepúsculo prostituindo a lucidez clarividente dos aspectos n´uma promiscuidade amorphanante d´assombramento.
 O Paes vencia já a belga, trôpego, cambaleante, sob o esfalfamento bístreo da luz, a arrastar adiposidades baloiçantes de redenhos. Lá-adiante o tugúrio do Nhô Aprígio, já desarcado na imistão atassalhante dos umbrores. Panejamentos de trevas escorchadas, deblatendo-se convulsas sob o aflato meduloso da viração, arrematavam horripilações de espectros delirantes sobre os muros esboroados. O Paes supunha ler, aí, n´uma sucessão vertiginosa de caleidoscopia, visualidades de hierógliphos pressagiando-lhe terrores asilados, lá, no mutismo interior da palhoça.
 Sob o impulso de sua manopla hesitante o batente gemeu n´uma agonia de anchilósis, gonzeando sobre o aparato dos quícios carunchosos. O Paes estacou a perscrutar a intimidade d´aquele canto de aposento que se lhe descobria na indecisão penumbrosa em que se iam todas as cousas imergindo. Imbricações de conjuntamentos geométricos debuxando-se no assoalho baciloso de térmita, inçado da lepra pulverulenta do abandono em sugestão imagética de expandidura embuçada p´lo bulcão pressago das borrascas; montões de limpaduras distendendo coxilhas de sarandalhas no regimem orográphico da imundícia alastrante; d´onde em onde rimas de cacaréus, pilhas de cavarenos juncando o chão n´um desalinho azoinante de voragem; esquálidos esqueletos de cadeiras estanguidas cingindo macabralescamente o cavername derreado de humilde mesa, onde amarelecia a miséria retangular d´uma toalha coçada de uso - uma tristeza acerba d´abandono exarava-se à face mesma das cousas, dando-lhes o aspecto desolador de burgo medievo em que houvesse grassado a peste, impiedosa nos paroxismos da endemia. Restos andrajosos de estores, amortalhando o cancro dos muros chagosos, leprosos de cardina, arrematavam tristuras a que tenuidades de penumbras baixantes distendiam espasmos de rememoração saudosa. O Paes deixou-se ficar n´uma comtemplatividade lassa de deslumbramento, esquecido de si, insusceptível já ao alarido da petizada que, lá-longe, o concitava ao crime, temendo hesitações atentatórias aos intentos probos do ajuntamento gárrulo dos pequenos. O Paes os não atendeu, absorto em cismas de meditações intermináveis ´té lhe veio espertar uma pedra atirada pela polícia de que investiram o “Dito”, uma peraltice escanifrada que se rogava experimentado no infausto ofício de atirar aos outros a aspereza dos calhaus. Rictus inexpressivos em arrevesos de bocas sibilinas, fretenindo o cicio abditivo dos mistérios, epilogavam o sarilhar de braços prometedores de panásios incríveis, obscenidades de manoplas cúpidas debuxando-se em visualidade imitativa de perversões. Intimidado pela hipérbole imaginativa dos advertimentos pelintras da meninada o Paes, chamando a si a hoste sopitada das emoções viris, ingradiu d´aquela semi-escuridade d´antro sonial, adito esconso das aparições pesadelosas...
 As trevas inçavam pela expansão palatina dos espaços, deitando uma tepidez amolentada de fastio p´la morna amenidade do ar. Trevores caliginosos de sombras diluiam os longes n´um desvanecimento promíscuo de imprimatura pinturesca, insulando a belga do Nhô Aprígio n´um isolamento de mundo inhabitado, eternamente apartado da prezada colacia dos orbes, batido dos intermúndios para o ostracismo astral dos sois, para o obscuro exício das siderações. Exilada no degredo astral d´esta herdade para sempre proscrita do telurismo primevo dos mundos, a galilé desesperava com a dilação porque, lá-baixo, detinha-se o Paes n´uma tardança pressaga de terrores lobrigados p´la imaginativa ateada dos pequenos, que à fusinagem omnímoda das trevas arrematava impressionismos de rictus hiantes na exartrema estorcegante de mandíbulas inverossímeis; ilusionismos d´espectros macilentos, alvacendo a sugilação dos palores cadavéricos p´la ronda noctívaga das aparições. O Souza, uma nonada retinta de pigmentação meridional, protestava obrigatoriedades de horas para a comezaina vespertina, epilogado pelo atendimento palerma do Meira, aquiescendo meneios significativos na cabeçorra estúrdia. Um alarido de sedição rompeu, presto, por o colégio dos pequenos, de vez a mais avultando no bulício estrugidor das revoltas. O Tião, uma cachimônia meditativa, sonambulizada p´la atropelada das visões, alheio ao vozear estrepitoso que bramava, imobilizara-se em arremedo imitativo de oniômano repimpado sobre o tálamo meduloso da pecúnia, absorto na vertigem redemoinhante dos sonhos, o olhar, atônito, assestado do batente descerrado por onde se sumira o Paes n´um arrojo de temeridade legendária. Do esgarçamento neblinoso que a sua imaginativa distendia emergiam carantonhas ulcerosas de monstros crocodilescos escancarando dentuças no elance antropophágico das acometidas e, lá-adiante, o vulto prófugo d´uma puerilidade timorata rompendo n´um abalo vertiginoso d´evasão. Neste o Tião supunha ver o debuxo caricatural do Paes dilatando obesidades colossais de cipangos formidáveis n´um ventre imane de manipanço. E deixou-se ficar neste abandono concentrativo de cismas ´té lhe veio espertar a garra adunca do escanifrado “Milso”:
 - E tu, ó Tião, o que pensas?
 O Tião, bruscamente precipitado das alturas a que o elevara a imaginativa penipotente, a pouco e pouco acordando a clara percepção do que se lhe adergava em derredor, protestou lealdades piedosas de camaradagem oríbasa, sensibilizante; obrigações de sentimentalidades efeminadas na expressão efetiva d´uma tolerante expectação. Uma simpatia afinizante de identidade espiritual desdobrara-se p´la sua alma empós a digressão imaginativa porque açulara o cingel espavorido das monstruosidades na atropelada cruenta das perseguições, por onde abalara o Paes, arrastando, zoupeiro, trôpego, a mole enorme das adiposidades baloiçantes. O Tião adivinhava-se p´la cenographia esconsa do crime, agravada p´la sentimentalidade alastrante da culpa: lá-adiante, a fauna fantástica das feras soniais; aqui, o flagrante inescusável d´uma gazua cingindo a alma escorjada dos loquetes! E acabrunhava-se, excogitando motivos, esquadrinhando razões, aventando hipóteses, no esforço explicativo, no impulso aclarador das inquisições para o atenuante cobarde dos delitos. À proporção que se lhe agravava esta zetética infernal de remorsos bravios uma pletora remitente d´amiseração afinizante distendeu p´la sua alma o bálsamo mitigante dos indultos, a venialidade indulgente das absolvições, e o Tião, derrengando a consciência esfalfada p´lo seio de amenidades desta consolação, aparelhou-se co´o gládio acerado da eloqüência, a panóplia açacalada dos armíferos medievos, para o nobilitante encargo, a eminente empresa das expiações. O tiple débil de sua voz impúbere alteava, já n´uma modulação de sons lúgubres, harmonias ciciantes de rogativas, notas insentidas de súplicas, concitando a galilé impenitente para a meiguice d´uma piedosa lealdade; já n´uma assonância barregante de ladridos, rogando aos céus o estípte flamívomo das maldições para a punição proverbial dos ímpios. O meninório, insensibilizado pela vertigem azoinante das deprecações que inçavam p´lo ululo grazinante das queixas, o não atendeu, preterindo-o no soez contempto da plévia ignara, agravada p´la língua sagital, p´lo verbo ensiforme dos prophetas... E, sacudindo de si a derradeira imundícia do remorso, abalou p´la ínvia estreiteza das tiradas a theoria das peraltices do Sto. Aleixo; cá, a cachimônia meditativa do Tião, apensa sobre o Gólgota da cerviz derreada, em visualidade imitativa de flor fanada à aproximação letal das invernias. Ia, e, empós, seguiam-no o préstito acabrunhado da benemerência universal, arrastando, trambecante, esquecido de si, a impiedade dos convícios que a posteridade revel atira, nos paroxismos da loucura, à face palerma da bonomia pretensiosa...
 Ia alta a noute. Os astros rutilavam a sugilação de suas almas columbinas, distendendo p´la expandidura latitudinária dos espaços a unção piedosa dos crentes no fervor contrito das preces; pela amplitude prásina das varjas, dilatando-se em epiderme bacilosa de escrófula, a passo e passo, arrojava-se a gibosidade bossuda dos covoás em sugestão imagética de acantomas inçando p´la castidade incoacta d´uma cútis sã, d´uma tez fresca de cuidados refectivos; cá, serpenteavam tiradas, coleavam pernadas, n´um tetanismo vasquejante de serpe escorjada, por onde o ignobilidade dos muares arrastava, n´uma desídia amolentada de abandono, a enormidade empachada de ventres túrgidos na afanosidade noctívaga das ruminações; de vez a mais mugia a ventania na estrupada múrmura das cachinadas, a que respondia o epileptismo baloiçante dos ipês, compassando a pandorga assonante das lufadas co´o rengo macabralesco das franças; dir-se-ia o funge buliçoso da plévia gaja na pândega ruidosa dos saraus...
 Os céus encasmurravam-se n´uma melancolia blau d´águas estagnadas, por onde bobulasse a incorruptibilidade inerme d´um corpo amado de mulher, alvacendo a lividez palescente das neves na floração nívea da carne impúbere. Surgira do fundo, na incoatibilidade oftalmizante das aparições, distendendo tentaculismos sensualizantes de invertebrados na agitação esgarçada da toillet albente. De vez a mais se ia galivando, esclarecendo o vulto fugidio n´aproximação hemiópica das phantasmagorias, ´té a intangibilidade euplástica da estatuária argiva, adivinhada p´la estupefação lorpa da curiosidade burguesa na viligeatura archeológica dos museus. E ei-lo, já a flux, vogando p´lo seio bonançoso das águas na imperturbabilidade bobulante de inverossímil limnobata ancestral, o cnidário fabuloso dos tempos imemoriais...
 “-... Mamãe te disse para apanhar, aí, teus brinquedos... é o vento que assim as vergasta... demoraram-se na infrutescência de maio... senta-te, aqui, com mamãe!... vamos! Que já são horas...” - O Paes estatelara n´um mutismo concentrativo de cismas, o olhar atônito assestado da barafunda tumultuosa do soalho, que distendia p´la su´alma nostalgias recordativas de reinações pretéritas, claridades bruxuleantes de rememoração escorchada, por onde a caforina alvar d´alguma peraltice amada clareava brancuras morsegantes de dentes ´través o talho nacarino d´uma boca salivosa de sorrisos; meiguices de carinhos tépidos na blandícia enternecedora do olhar, a fitá-lo, a atendê-lo, veladores, p´la fagueirice balsâmicas das horas magnas; esmeros de cuidados cândidos na afabilidade amorosa dos mimos, empós o esfalfamento de canseiras nas obludações vespertinas, quando a sinceridade idólatra de sua mãezinha se lhe exambrava as fauces mádidas, zimbradas de hiperidrose, congestas d´alegria franca, simples, a estresir-se-lhe p´la imobilidade fixadora do olhar, a que estagnações melancólicas de pupilas emeigavam n´um efeito trágico de esfumatura, n´um diluimento brando de fusinagem impressionista... A saudade gemeu p´lo seu íntimo n´um dobre lúgubre de exéquias, tal se tivesse exilado da vida, para sempre apartado dos seus, resignado e só, vivendo já na intangibilidade imagética d´um espectro erradio, indo aos trampázios, trambecante, p´la impotência rememorativa das almas saudosas, batido p´la aragem amnesiante do esquecimento, preterido p´la comutabilidade associativa das abstrações no alheamento espiritual dos seres. Nostálgicas crepitações recordativas bruxuleavam inda p´la su´alma em visualidade imitativa de siderações acesas p´lo remanço bonançoso dos céus, por onde errasse uma vaga, insentida aerização de tristuras, carpidas p´la alma êxul dos orbes n´ablegação eviterna do empíreo: “... uma bota a que o Bento alardeou, que não tinha a tal rês... eu mesmo o vi, e digo-te: não tinha!...” ...é branco ...mamãe também o possui assim, e sapatos... “...disse-te e digo-o inda uma vez: te não deves meter-se, lá, para as bandas da tijuca que, olha!... vê como me trazes os sapatos...” - e derrengou o espírito derreado p´la medulosidade acarinhante d´este estofo de amenidades recordativas, ´té a ataraxia cupidínea da mourisma p´la quietação pachorrenta das raposeiras, em que a acídia remanchosa dos sultões, repimpada p´la blandícia atafetada dos coxins urdidos a preço, esquecida de si, escadelecente, cabeceante, toscaneja, enleada p´la ternura de dedos amimalhantes na acocação das odaliscas...
 Súbito um estalido. O Paes, acordado por este alarma prenunciador de flagrantes imprevistos, sacudiu ombros a desídia apachorrada em que o deixara a ascensão turbilhonante das cismas, e em que se ia ficando, estúrdio, lorpa, insensibilizado, vogando à flux p´la undifluidade marulhosa dos sonhos, à levadia baloiçante das visões. Presto asilou a pimelose dos redenhos fartos p´lo adito imperscrutável d´uma treva amiga, d´onde perlustrava, às esculcas, com esgares cômicos na caraça néscia, a promiscuidade picumada das sombras d´onde emergia, n´uma indecisão theratológica de poliorama, o acuso inexpressivo d´um vulto indistinto, proplasma muliado d´uma estatuária inverossímil. O Paes inda mais cingia-se a penumbra anonimanizada a que se recolhera, intimidado pelo advento imprevisto d´este avantesma metuendo. Cerraram-se-lhe as pálpebras ensambladas por proibir-lhe, defender-lhe o flagrante imagético d´este omnoso nume erradio, estresindo-se, vitando, p´la nitidez clarividente da sua retina, d´onde exalçava-se, ´través a complexa filigrana dos seus nervos sobalçados, ´té a hiperestesia nevrotada de suas funções cerebrais onde, sob o impulso transfigurador da sua phantasia, vessava ind´outros tantos episódios saudosos das pândegas em que a traquinagem vadia do Sto. Aleixo distendia abalos celerípedes de carreiras na fuzarca plasplasceante das ocelações, com esganiços tartamudeantes de alegria atafulhada na exigüidade clangorante das fauces rúbidas, e em que a ladinice perversa do França, coadjuvado pela cumplicidade soez do Meira, lavrava mutismos cismadores de imaginativa assanhada na evocação nigromante do Nhô Aprígio arregaçando dentuças rilhentas de caninos aduncos na desarticulação espedaçada de mandíbulas hiulcas, destilando a bava tóxica da sanha p´la desumanização da face arreminada. O meninório resfriava-se à evocação sensacional d´esta omnosa visão espectral:
 - É alma penada o Nhô Aprígio!!! Exclamava o “Milso”, célere abalando pelo promontório lúrido do medo. Seguiam-lhe ind´outros, já intimamente revolvidos p´la charrua mithológica dos ogros na azáfama sativa das horripilações para a recolhença infausta dos pavores infantis. Entanto, lá, se ficava o Paes, hiperextésico, não intimorato, senão sorvendo do medo o Cós apetecido dos afetivos, dos estesíacos, por cuja embriagues vamo-nos, temulentos, ao círculo augusto do delírio, d´alucinação, em que a alma êxul dos espirituais encontra a mansuetude blau dos ideais, o remanço venturoso da consolação...
 Um ringir ríspido de ferros roufenhos reboou raucíssono p´la quietude tuiada dos aposentos, espertando as cousas do mutismo recordativo em que estatelaram nostálgicas. O Nhô Aprígio deitara estrepitosamente u´a tambona esbandalhada sobre os despojos aluídos d´um vetusto fogão, em que ardia a piropa reverberação esturricada das áscuas em flagrante imagético de flamas flamívomas p´las fornalhas acesas do báratro. Logo o aroma ambreado do Botucatú toldou a impenetrabilidade penumbrosa do tugúrio, efundindo-se p´la mixórdia graveolenta do espaço. O Paes, haurindo o “fartum” capitoso que assim deitava o Botucatu, lembrou-se, então, dos serões amenos, das vésperas anódinas em que a alma nostálgica de sua “mãezinha”, afadigando-se em cuidados timbrados de opsologia, esgotando-se na adoperação afanosa d´observâncias culinárias, esmerava-se no preparo aperiente das consoadas a que acorria a camaradagem abdomínica do Tião, do Mílson, do Naldo, mesmo a santimônia soez do Meira que, não o obstante a glutonaria com que a tudo arruinava na comenzaina opípara das tardes, inda desatava à língua os freios sensatos da gratidão, propalando, pérfido, vil, por entre a galilé, a calamidade alvinal de que se tornara vítima “p´la fúria ultriz de sua mãe...” e deixou-se ficar, vogando insentidamente p´la intangibilidade ambreada do Botucatú, ´té a claridade ancípite d´uma almenara, presto acesa, enfundindo-se p´la gravidade parietal dos muros, lhe veio espertar. À luz mortiça, bruxuleante do candeeiro, o murundú de inânias que gafava a aspereza pulverulenta do soalho estresia-se p´la sensibilidade ateada do Paes em sugestão imagética d´ampla varja silenciosa, distendendo-se infinda p´la lauta orographia anfracta d´um orbe êxul, sob a solferina rutilação escandescida dos arrebóis. Um acesso inesperado d´uma tosse catarrosa de tísica fez tremeluzir a chama timorata da almenara, e era um mundo que convulsionava sob a claridade esquiva d´um sol agonizante, abalando a sinergia astral dos orbes na síncope estrugidora de suas forças agregativas... súbito um crepúsculo alastrou p´la quietude abigarrada dos espaços, deitando sobre o muradal gafento das imundícias o toral de trevas que os obliterava ´té o arrebol de a pouco, em que esplendia a luz ostrina d´um astro rúbido, aurorecendo sobre a mixórdia evencilhada d´um mundo aluído p´la prima hora d´um dia efêmero. O Nhô Aprígio evadia-se p´la porta que dava para os fundos da herdade, levando consigo uma anthologia de flores silvestres, exalando o cheiro acre das nemoreiras, e a luz aclaradora da almenara, deixando ao tugúrio abandonado a piedade luminosa das estearinas, rutilando a claridade vacilante das chamas p´lo mutismo trevoso da palhoça... E o vulto convoluto do Paes, inda mais cingido à treva a que recolhera suas adiposidades tremebundas, instando aos céus lhe concedessem a graça imerecida de sair incólume d´esta traquinagem malograda, ferrada n´um dia assim interminável, que as horas já se iam tornando séculos e os séculos milenários p´la extensão infinda dos tempos. O batente gemeu estrepitosamente, gonzeando sobre a tabe das missagras d´ancilósis, ´té cerrar-se ruidosamente no clausum estrugidor das cizânias, que a filáucia, ferida no atrito belicoso das refregas deixa empós si no açodamento fragoso das evasivas. O Paes atendeu ao estrugido raivento do batente, archeado à ostealgia lancinante d´oxidação dos quícios. Persignou-se com o ardor religioso das pias devoções, crendo-se favorecido p´la terna piedade divina. Sacudiu de si os últimos andrajos da treva que fraternalmente o ocultara, esquecido da solicitude amiga d´este canto penumbroso d´assombramento que, havia momentos, envidava-se em furtar-lhe a presença aos olhos esgazeados d´um espectro inatendido.



***

Dous Sonetos

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I

O Sonho em que vamo-nos embalados
Terá jamais o belo, ideal aspeto
Apetecido; Signo consumado,
Do Bem será jamais pendão dilecto.

Este em que juntos temos palmilhado
Que toda absorvido tem a agreste
E austera existência, muliado
Sonho mau, dei-mo a mim e a ti o deste.

E a tênue, lesta aurora vindo entanto
- Mirífico oriente, pio arrebol,
Célere à agourenta, torpe visão

Descobrir-nos de angústia o ímpio manto,
Em nossas almas há brilhar o sol
D´um venturoso dia - a Redenção!



II

Linda legenda em lesto apoteto
- A solerte progne ária das origens
Do mundo que em súbito, insueto
Cantochão muda-se, em forte vertigem.

Vem comigo, só, e o teu canto trazes
Modulando um delicado treno,
Que é suave e antigo o que fazes
Mesto canto, alma feliz, e ameno.

O gesto mirífico que na lauta
Pauta e divina do eternal engenho
E a fermata thriunphal que alta atroa...

Quando chegas é então que mais se exalta,
Que mais cresce e dilata este ferrenho
Canto e ao meu coração... Elle o atordoa.

Surungo do Bragal

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O César apurava-se... Era o corte à novo de seu fato, terno fino pesponto. Encasmurrava no favor e mercê de mais olhar, que a sua sorte forte regia, lembra? Ella: guardando consigo os sortilégios – o rosto meigamente de Lucinda, lindo... E outras tantas purezas, amigo, prazenteiras, o seu forte progne sorriso, sabiam todos o impossível d´este entrecho. Aí, elle servo no lavor que lhe adornava as ricas abotoaduras. Sim!... A tia Berta, quantas vezes também formavas na atropelada ruidosa do meninório: a mesa regalona, os bródios das vésperas? Então, foste tu, não? Qual o dia?... Deixemos. Isto é procela raivando na dorna, não condiz... O César não combinava no acerto da hora. É tempo que não havemos de contar, tu sabes, elle espadana n´uma fonte idosa p´lo regaço nemoroso do parque, a água solerte promovendo-se no repuxo e, ali, os olhos deslumbrados. Então elle é mais dilatado, maior quanto mais...
O César acariciava o mento liso escanhoado, trescalando basto, hígido fartum de botica. Este dia, o César havia-se co´o dever de fazê-lo. Homessa!... Sim, o dever. Tanto menos quanto o fizeste a tua patroa: que se não cogita, aí, d´estas cousas. E o que não principiou como lesta policitação tem já o governo dos destinos nossos. Então... Elle sabia sua saliva, advertindo um travo amaro de remorsos, outro qualquer suave aprazível. O jeito safado da fortuna co´o franco efetivo sorriso, o gosto, pois, empenado. Olha: assunta que o César, aí, tampouco habitava. Ansiava, que esse um de nos aliviar co´a sua flagrante verdade e truísmo. O César, então, concebia o gosto salso e aperiente d´um assado e polenta, elle isto, lá, apreciava! Que sua mãe esse fazia, um saboroso. O César não o queria? Agora como a um dever. Não cousa que afina na honra, não! O César não consentia n´estes enthusiasmos. Era é muito homem. Atilado, concernente como o átimo de juízo na provinda certa justiça. É possível. Aí, aquelles que melhor decretamos estáveis, a nossa prosápia e maus mais momentos findáveis. Ao César nunca falhou esta estampa, homem estrambólico, estentório. A Lucinda receava nunca. Decerto atinava co´a anódina resolução do César, aquelle incerto sorriso agreste, emanado. A Lucinda, o elenco d´elles. As almas amantes, há-de que vivem assim, enfáticas efetuadas. Pelo visto: a Lucinda trouxera sua sorte germinada, cousa que é muito mystério e claridade e co´a vontade claudicante do César fez porejado par . O César, mais forte provindo de sua séria tristeza, era, pois, o régulo rabavento d´estes destinos. Sendo assim, pois? Tudo está narrando-se reto por esta prosa: cada um cumprindo-se prompto razoável. A este destino consentimos melhor, não? É a toada dos fados dias ordinários.
Elle agora instruía que demasiava muita luz – aí, p´las bodas é um rico feerismo – que seu terno e fato eram não e tanto assim açafroados. As lâmpadas lastimavam uma luz doente, desprevenida, grosso enlevo de claridades. E o César atinava no cinismo, removível resignação que a lâmpada estimava. Aí, pois, tudo assim não ria? O César vingava de conceber honesto sua vida: que elle, ali, era o que prorrogava sua vergonha, promovia uma sórdida, e entremez de fífio teatro, de província. Seu mesto espírito todo se confrangia. Mas sabe-se: o César sobeja muito de si é nas horas de agonia e pesar, o escuro estrênuo de scismas e proficiência. O terno seu, belo, vistoso, era obra esse d´um atrevimento que elle adivinhava apenas. Era demasiado correcto, querelado. Elle temia era não delir, o seu ocaso n´esta ocasião. E ponderava: “A vida assim rente co´os usos, que é que forte rege um homem, procedido, n´elle assentando obstinação de império alçado e poder”. Que o deixa viver? Sorte de uma má existência narrada, enzampa. O olho vil dos usos, n´elle fazemos a epítome d´uma farsa extrema, enzoneira. O mundo, todo regulado, ficha n´este promptuário, certo. É tal tudo quanto sabemos honestamente, sem rebuços: somos, certos em que somos... E somos outros. Todo o tempo? Vigio quando mesmo sozinhos. Ninguém está, aí, incólume. Que há? O César é assim. Intenso sabe certo o que não é d´elle. O terno que ora trazia, garrido, estas sóbrias regalãs abotoaduras; o belo festejado sapatorro açacalado: aquellas meias, quem lhas presenteava era o fernando. Que não os dava? Calúnia... Mas, veja, Se esse mesmo um, aí, foi quem mais contentava quanto natalício aprovavam os dias festivos... Presente dado, sapo enjerizado. É, pois, por isto: Que mais se acanalhava o César, de fazer-se parvo isto mais o expedia, esse muito mortificava-se exequível para estas fidalguias. Então, o fato novo, bonito renitente, até seu fino cabelo o Delmo a gosto tonsurou... E o mento oloroso cerce escanhoado... Era um outro fantástico duplo consigo n´um geminado existir. O César, aí, transido, estacou: mais vingava este o fácil fanatismo de sua álgida solicitude, quanto o César falhava um vero viver. Que digo: um desses vê enxergado é o fio enzampa enxabido de viver. Se me lembro e recordo? Ella, D.Cecília - mas apenas quando enviuvou... é o povo escasso bilioso, o mundo todo muito se entenebreceu co´a vinda, o advento d´estes. Que é que está a esperar Lucinda? Senão esta desgraça. A Nêmesis. Escomunal insensatez do mundo. O homem fífio n´um circo de muita vida, mas mais o aflige o garrote e verruma d´um uso e governo. Não, o César isto já o disse a mim. Elle tem vezo. Por vezes elle concebe direito na regra de existir, mas a fonte lídima de força, aí, faz prazo nesta obediência a fortes princípios. Elle, esse César, e mais todos quantos somos. Sim, suas bodas. É uma outra, houvesse muito demasiado disto por aí. Compreendo... Sim. A Lenora: um truísmo... Esta fosse sua triste sorte, mas muito mais, aí, enrijece concebendo o deboche e escárnio de viver. Eis um outro!...
Porque demarco demais n´estes comenos?... Obstinado n´este fio delírio estrito?... É que o narrador não tem pautas. Se não o pode ver. Fábula, apodo, conceber, o espírito, o drama e força do júbilo, nosso amor é jamais estarmos a sós. E d´outros quejandos afectos. O poeta em outros tantos: Elle thiraniza absurdo, mas a habena de sua sciência fremindo um vazio: Eu não consto! E também... Os seus botões: evidente! A linguagem inteligível debochada, o outro é quem a advinha.
Quem o pode?! Fiar-se n´um liso e esmondado... É só literatura. Difícil?! Aí, tem muito demais. É uma arte, dizem. Querem-na rhetórica ou eloquência. Quem muito o diz é o César. Também... O César certo concebe nisto. É de que justo o acusam: forte atrabiliário... De facto. Agora imagina: era o dia de seu aniversário - se lhe houvesse um caro afecto, um certo parente morrido, teríamos uma tragédia. O Almeida lhe fazia um sova legendária, melindrado co´o tédio e forte viperino spleen do César. De acordo. Mas elle não nos pode negar algum acerto. É ponto muito discutível. Sua alta compreensão. Eu não tenho esta dilatada subtileza, prazo de entendimento ajuizado. Mas estes casam-se co´a vênia e benção da igreja. O César, pois, casou-se. Sim. Isto assim se dá. Aí, elle servo no lavor que lhe adornava as ricas abotoaduras... Mirava, forte demorava. Um pensa, homem concebido e outro mazoral é na vida que tampouco incoagiu começada. O vivo melhor que se tem, lurado e carunchoso, o pretérito finado jabiraca horripilando nosso sincero, oríbaso porvir, os fastos da alvorada:

"Malamba dita
Sardinha frita"
Sim, umas bodas... mas, aí, o passamento d´um filho; a malaca insidiosa cevando n´um mais querido prezado amigo; ´té parente que longe vai muito viajado - É uma maçada! Caceteação...
"Moça de saia,
Sorte macaia.
Moça bonita,
Forte desdita."
E música, a muita. Elle, esse César, minestre juvira esgrimando consigo. É muita estória. A música era é assim, também. Um mívio altivo, garrido, o César estadeava prosfasador, encomendando moinante o dom que lhe deu Deus nas pândegas, lá, do Bragal. O pinho intenso chorava, a mesta, flébil elegia manbira que os malungos consuetos propagavam tem vigílias de enlevo e sonho. Teciam alto, um delicado pesponto no fuso hexacórdio da mandora, vem mesmo uma sorte de virtuose, as suas mãos faziam assim. E o César compassava os arroubos românticos da patuscada, toldando o ar co´a vertigem consonante de trilos e harmonias. Se, sim, se jactava... A mocidade aconselha. Só com muito demorado tempo. Sim. Então, pois! Agora concerne é n´um diletantismo maneiroso, arte putativa que os mais depõem. Elle não crê, não. Hoje sendo gostando muito mais é de ouvir, mas sem a nenhuma modéstia. O César já não diz que diz. Elle mo disse. É... Homem contraditório, pantopolista. Vem que inda vão, lá, p´lo Bragal, povo frege. Que não há ocasião: dia raiou, é no rebojo do Bragal! A Lucinda... A lucinda é mulher. Nem consente. Agreste, rebordã, brandindo o rebenque do seu forte zelo e amor.
O César muito que ella, aí, morava junto as bandas do Val Paraíso, que soube. A vida não esbarra de tecer as surpresas novidades. Ella, a tanto, é de ter uma fraca sofreguidão. A paciência. Elle algum lene namoro inferia, ´té umas núpcias a meio manentes. Isto, que é sendo mais dito logrado? Logrou-se. Um e outro intenso viver elle, então, como piançava. Que com forte esto e ardor era amado afeito uma consorte amásia, como sem fio e rumo autorizava um desatino. Desquitou-se. Sei. Tinha encantos, ella, uma sedução. Todos, aí, afinavam, concordes. E, pois, quando se lhe vai graduando, uma saudade mazomba que vai, é nela. Não, não...Inspirava e concedia em lauto respeito. Ella assentava um estado e muita ascendência, que o César acolhia. Um theatro, dança, recitais e outras preleções e gosto espevitado ella como entretinha, prepondo-se um donaire e galhardia. A Lucinda?... Já, nisto vamos. Dizia: O César fazia par e coro a esta altivez, somente que... Isto. É... Tartamudeava sem remissão. Tampouco concedia que a adjudicassem, que insulto e muito convício isto conformava. Por cujo tinha enlevada amicícia, ella e uma outra galivada irmã expediam o primogênito, irmão borboró. O César crebo acotiava co´a sua fácil solícita quimera: elle concebia mesmo prazo de homem meditado, cogitabundo, propício. Elles feriam alto escopo de pensamentos e consideração, confabulavam uma alegoria insueta de reforma irridentista. Apenas a coorte emendada dos mais erectos sutís, o espaço emanado d´um sonho e poesia. Ella e o amor colhiam a propagada polidez e testa parolagem do César, o epílogo d´uma sedução. Depois que é muito tempo, o César secou, exambrou sua demasia e estolidez no entrecho d´amor que ella estonteava. Aí, pois, tem foi uma demorada, dulcíssona copla, conduzida. Sim, mas que calou... Mas isto não a infirma!... Tem gravado, aí, inscrito, todo amor uma legenda de crisographia. É, é... Romantismo. O fim d´amor é um outro começo, heim! E o César expedito fatageasse o resumo talar d´esta fábula, mais uma muito e outra recopilando sem pejos. Aí, soube era o que mulher é. Elle vai foi estonasse um vesco ácino de entendimento, na pérgula de intenso prazer e gosto refestelado. Sim... E esta tem muita página!... E o todo pretérito é demasiada leitura, não? Tampouco... Jamais soubesse alguém. A vida é muito velha. De acordo. É... Veio a Lucinda. Seródia, muito que o César grosso aunasse o todo fim de Amor n´um forte desprezo. Elle mentia um pando cacaio de prava maldade gabola. Uma clara, límpida e água ludra n´uma outra, elle anaçava uma cendrada mezinha para si, para seu uso. E veio a Lucinda, veio. E veio, já, este terno e gravata e novos luzidios sapatos. Veio estas bodas.