Bucólicas, ( XLVI )

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I - Século compreensivo...

Quanto século compreensivo algum,
O luto das aliás plangente, sonho tanto
O sonhava flente, froixo o “Homo Novissimus”.

Inda à penna a tromba escrevendo:
Libelo d´uma última philosophia.

II - Hei, aí, esgotado, no furor da derradeira
Acometida: o póstremo alento de minha
Temeridade, morre-me a boca o confessá-lo -
N´obsecação obstinada do teu vulto erradio...

Morre-me a boca o confessá-lo -
Na contumácia solferina do meu pessimismo...

III - Acorda a carapeba assonante das pluviosidades...

(anthropomorphicamente, co´a rasoira impenitente
De nosso “Mal-Estar”) descompassado, tal
Fosse o fragor estrídulo dos estilamentos
Tautophônicos -

A apoteose emocional do medo!

IV - Mármor existindo a impassibilidade, co´o
Espírito Artístico. Das épocas sentimentais,
P´lo alheamento esculturado dos címelios euplásticos -

Tuburcinando, edaz, a potagem sápida dos antagonismos...

V - Pélago revel talando o tergo proceloso
Do abismo co´a voragem encapelada.
Lá-baixo, do escarcéu.
... e desdenho da tua felonia.

Linda extrema do oceano lírico
Amo a tua lassidão...

VI - “Antes, as fulvas madeixas da albente
Albufeire em que miro o semblante
Transfigurado, houvesse jamais tocado
Co´a lascívia dos dedos venais “.

- São tuas?...

Bucólicas, ( XLI )

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 Imos ambos morrer!...


 Então a sorte misericórdia e nos conceda a fortuna n´um dia assim d´outomno, tanto que se nos dessore d´órbitas de violeta e d´horas de incêndio a mesta lacrimosidade porque nos víssemos à hialinidade d´um lago assim azul que o houvesse pintado um bruno phantasista, ansiando lhe atirassem os andrajos verdes d´uma esperança exul... Assim azul, scismando tua coma quem a houvesse, lá, ambreado dos olores que sentimos quase, que enervam quase - efundir do tênue toque da tua mão quando nos quer apanhar quase, tomar quase músicas que as ouvem apenas os teus e os meus olhos:

"... n´um arautismo de estrépito retumbante
um crescendo de claridade alvissareira."

"- O crepúsculo vai sangrando a hemoptises das
Vésperas sobre a urdidura promíscua da arrumação,
Que derrame hemorrágico das lacerações,
P´la alvura dos linhos nupciais,
No líbito eviscerante dos suicídios."

 ... Scismando a volúpia seda da tua tez, assim como a cingem nimbos de olores vítreos.

- E é uma surdina de aves na alameda!
Sobre loa, kyrie, ofertório algum
E lhe ouvimos o surdo psalmodiar.

 “A cristalinidade d´uma lágrima fez-lhe às faces maceradas a sinuosidade angulosa d´um arroio de doloras a que laivava de cruezas sanguíneas a congestão carmínea dos lábios, encenando impressionabilidades de adevões cruentos, difusa caudal de sangue à diafaneidade ciciante das águas”.

 ...Inda músicas, e as ouvem as tuas longas, lívidas mãos de cera, ardendo os alvos círios longos de tuas mãos.

 Outra música... e soará à prima hora rumores incertos d´uma sinfonia que ouvimos jamais... é tarde! D´esta hei apenas três tesoiros:
 ...esmeralda,
 topázio e turmalina.



 

Bucólicas, ( XXXIV )

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(Ind´outro aforisma do meu Esteticismo)


Fúria fundibulária do seu carme...


Raucissonante co´a agonia estorcegada p´la boca eruptiva, ronflam, rugem, roncam, no aniquilamento plorabundo e deitam p´lo abismo o zimbro lastimoso da dor tantalizada.

E os vence, co´o aflato ululante das ecnefias, o vento p´lo alarido das virações e ruidoso.

Que vem, lá, palancíada aurorecendo, se vão remoçando n´um rejuvenescimento azul, da sujidade gris na medida tampouco se nos dá.


Ronflam, rugem, roncam lá-longe... lá-cima...



Bucólicas, ( XXXII )

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(Primeiro Aforisma do meu Esteticismo)


Se foi co´a noite, p´la tarde agonizando, o lamento invocalizado das cousas emudeces quando, co´o caudal argentino das lágrimas, lá-alto, surdindo, pois, do mystério e origem esquiva, o disco de prata no abismo de trevas das incontadas, e são esferas, freqüentados os homens porque, a mais diligente.

Então, se foi a trautear n´um popysma, uma ária de olores...

O Plenilúnio fretenindo n´aerização hyemal das cores p´lo, adágio d´horas somnolentas... o arboreto...


Se foi co´a noute, p´la tarde agonizando...

Bucólicas, ( XXIV )

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Eu quero que tu vivas sibilina flor do meu desejo
E inexprimível,
A expansão irreprimível d´uma força.
Tu, inolvidável, eterna chancela dos gozos e misérias?
Buscarás, debalde, o derradeiro mito da tua partida:
Serás, vive a dor da eternidade! - a maldição da tua própria beleza.
Sonho por mim a tua omnipresença em ti vivendo
Que és um calefrio ausente por um sonho de papaverina,
É também que avulta a tua dor.
Eu me estorço e caio a boca sôfrega dos mistérios emudeces.
Quando...

Bucólicas, ( XVI )

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O meu alcácer é um tugúrio esboroado,
Quiçá a sanha furibunda dos milenários,
E lhe aflija talvez da noute a tule
D´umbrores o aspecto charro d´uma choça.

Deitou p´la platitude, se ia rojar
D´este muros as mãos d´um sarrafaçal
Da vida co´a resignação d´um penitente,
Fulgindo, seu nome p´las páginas do Il´Lilin...

O bacilo impiedoso das idades
Deixou à posteridade nevrotada
O flagrante imagético das saudades...

Os muros dizem assim dos que se foram...
Co´o vasconço sibilino do reboco carunchoso
P´la lauta solitude d´esta herdade!...

Bucólicas, ( XV )

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Quando a treva deixa p´lo abandono
Lentamente se vai aderindo ao silêncio
Recordativo das horas vespertinas...
Parietal de minha alcova fria...

Deitando uma tristeza acerba
De ausência, penso então ouvir
O tiple claro da tua linda voz
De seda modulando uma endeixa.

A nostalgia empalamada do exílio...
Fusinando a estreiteza ulcerosa
Dos muros p´lo silêncio d´hora amena...

- A saudade, à noute, inda é mais pungente!...
É, então, que me vou deitar, ó nume
Do amor, à suave evocação dos teus nocturnos!...

Bucólicas, ( XIV )

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Aquel´hora da matina, quando o teu vulto
Fugidio inda se exilava no degredo astral
Do sonho, eu me ficava a velar-te,
Ò flor tentadora da luxúria...

Como a ver, d´alguém a quem se ama,
Fugir-se-nos a grácil máscara de sorrisos,
Delir-se-nos a face amada d´alguém
P´la penumbra atassalhante do olvido.

E os teus olhos, pequeninos, rutilando
Que já os não posso divisar assim
Co´o esplendor opaco d´um hiálito,

P´las distâncias a perderem-se fugitivos...
Lembram já duas estrelas exiladas
P´la solidão latitudinária dos espaços...

Mater Amatoris

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À minha Mãe.




Quando a morte, ao derradeiro canto
Que eu houvesse cantar ao mundo,
Se me vier célere silenciar,
Sois vós que as mãos e faces
E fronte me havíeis beijar
E orvalhar
Co´o rocio de lágrimas do teu pranto.

E os tempos, a mim, que fora enfim
De lama infame monturo,
Hão então verberar:
“Maldito! Se vá este biltre abrigar
À infâmia paternal de Satanás...”
E ao mundo odiento afrontando,
Vós é que, símplice, lhes ireis arrostando
Na defesa imerecida que me farás:

“- Maleficente... meu filho não fôra assim!”.

Res Gestae

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A minha Nau vogando quietude marulhosa do mar, ringir roufenho de ferros sapremados... p´la poitação ruidosa das arribações, celebradas no peã barregante da matolagem acoroçoada, ebrifestiva.
Bulha de gorjas raucíssonas despulmonando himno de aclamação vitoriosa, loa de corações ovantes tartamudeada p´la ingresia tonitroante dos triunphos...
Lá-baixo a hiléia cerebrina das legendas, e troviscados.
Estrepitosamente, co´a exartrema entrechada das mastreações.
Carpidas na oblectação temulenta das beberagens.
... o alarma admonitório da próxima partida.

Portrait

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Ao meu Irmão
Daniel Welbert.






Estagnação de ar estival
Toldando a estrídula intestinação dos arruamentos;
Surdo tatalar d´archaboiços entrechocados
Na deambulação vadia dos Boulevards;
Calhaus de antonomásias epitásticas
Atiradas à camaradagem pulha,
Na coprolalia das Brasseries;
Recatos ruborizantes de pudicícia susceptibilizada
P´la corrimaça frascária
Da puerícia excitada;

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Maria, tua seda voz de querubim,
Colgando o ar d´harmonias celestiais,
É um panapaná de falenas eterais...
Tenuíssima música dessorando sobre mim!...
Na urbe, a sarapieira promíscua das defecações comercias, alcatifando a gorla estreita das cales, à visualidade da retina senciente põe ilusionismos de “Crossword”...