Bucólicas ( III )

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 Fôra uma revelação!...


 O Bené - miniatura da peraltice insofrida - empós o arietismo dos trampázios porque, ´través a barbacã impérvia da zaragalhada, levara a sua insignificância de 2 ½ covados, assestou do cimo vertiginoso do campanário do Sto. Ambrósio co´o hiálito dos olhos deslumbrados. Lá-cima, adivinhava-se o esplendor coruscante que o colossal alampadário elétrico da paróquia dessorava, alardeando n´uma apoteose de luz, esplendendo n´uma faulação de teopsia; augurando, mesmo prenunciando a glória em que se iam ter os que se demoram no Cachoeiro do Itapoã quando, cá, viesse dar o eletrismo tentaculoso do progresso, deitando o raizame venulado dos fios sobre a acomia argilosa dos arruamentos; dir-se-ia, então, a nubilidade viripotente do progresso aparelhou o glabro Cachoeiro para o himeneu sensualizante da história, para a perpetuidade dos êxitos materiais, para a imortalidade dos louros exornando a fronte ovante da temeridade intimorata... O Bené, entanto, descurava d´estas subtilezas de venturas que se advinham, lá-longe, na esfumatura obliterante das promessas. O seu absorto espírito de infante vivia já no alumbramento fascinador da luz que aquele aparatoso astro rutilante efundia sobre a avernal escuridade do Cachoeiro. Verdade seja que o Nhô Lemos mandara acender almenaras em derredor da praça do Braguinha, mas, como escasseassem os cobres, falhou-se-lhe o altruístico intento aclarador... A luz do alampadário descobria-lhe a afanosa existência d´um mundo que supunha extinto na hecatombe universal dos crepúsculos para empós eclodir, à luz fecundadora da Aurora, na abiogênese fenomenal das criações. Ante seus lucelos esgazeados a enfiada toda dos fenômenos microcósmicos se lhe revelava: a mirmeciana operosidade das formigas, abalando n´uma carreira de prevenção maníaca; a avifauna dos larvíparos, ascendendo no vórtice ebulitivo de basto nuvrejão; a ronda noctívaga d´algum himenóptero erradio, exilado do regimem placentário das colméias, abandonado a inanidade inclemente d´um dia sempiterno... " - Não lograrão mais dormir estes pequenos?... Onde a escuridade salvífica da noute, entremeando o intertíscio trevoso da hora amena p´la azáfama ruidosa do babelismo diuturno?..." O Bené exasperava-se na zetética minuciosa d´este princípio de astronomia inverossímil: " Envelhecer-se jamais na perpetuidade moça d´um dia interminável!... A companhia elétrica trouxera-lhes a perspectiva prometedora da imortalidade na claridade rutilante d´um meio-dia eterno. O Bené, então, abalou para casa a participar a sua onerada mãezinha da prodigiosa nova que, efundindo-se p´la vascularidade cúprica dos fios, lhes prometia o electrismo solaz...


 ...Sorriu-lhe condescendente, estreitando-o n´um amplexo asilador d´indulgência enternecida.

Bucólicas, ( XX )

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À Lívia


Eu não sei, Senhora, se o bem que sinto
O dessora tuas delicadas mãos de absintho
Quando me afagas a rude touta escalavrada

Ou se um tal enlevo de graça divinal,
Que nele gozo todo amor e bem e todo mal
Quando à quiba face macerada

Há tocado o alvo fuste adamantino
Dos teus finos, frágeis dedos pequeninos
- Se um tal enlevo de graça divinal

Que te aurela e toda te espiritualiza,
O encanto que aos anjos, lá-alto, diviniza
Dando-te, fazendo-te pulchra flor imortal

D´Amor, tressua d´ulótrica coma olorosa
Como d´exótica corola perfumosa
Quando a desenastras sobre mim.

Bucólicas, ( XXXVIII )

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Aqui, ante tuas margens cristalinas,
Houvera das plúmbeas horas acres
As que como as d´outrora opalinas
Águas d´uns laivos lassos tocassem.

Há rúbidas rutilâncias algentes
Tremeluzindo fulgor de alabastros...
No Hélicon, dos mármores, dos astros
Fragrâncias de hálitos dolentes.

Contam de ti lendas priscas e várias.
Antes, de ti, que a caudal suave, lenta...
Tinham esplêndidas cores hialinas!

Aqui, ante tuas margens cristalinas,
Ressumbram cores que a aurora inventa,
Ouvem-se cânticos, hosanas e árias.

Bucólicas, ( LVI )

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A Infância agita-se ruidosa como um utensílio presto espiritualizado, súbito animado em meio a mole enorme de um mundo fóssil...


Megatério de pinho arreganhando rictus de utilidade pretensiosa na imobilidade paleontológica das mumificações.


A palmatória de prata destila a claridade ancípte do seu medo-pânico de luz, ralhando co´a fixação obstinada de seus olhos deslumbrados, protestando o trágico cepticismo do mobiliário, resistindo a sedução inebriada do seu sonho...

Onde sou uma sombra insomne divagando a tua ausência.

Na Linda Extrema do Parque

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A Primavera tem dias longos,
Demorados na tépida indecisão
D´uma hora imensa, incontada,
Perdida na modorra lânguida,
Lenta e preguiçosa do Sol
Que rola, vadio e ébrio de somno,
Sobre a enxerga suja e convoluta
Dos Céus.
Então, cá-embaixo, o vulto amodorrado
Das cousas deixa-se ficar esquecido
N´um ricto de abandono e desolação,
Tangendo a aldrava ferrugenta
Das vésperas
À porta surda e troviscada
D´um Borracho.